Ju-On: The Grudge: Haunted House Simulator

Publicado em 02/07/2012 |


O gênero survival horror foi bem explorado no Wii. Títulos como Silent Hill: Shattered Memories, a franquia Fatal Frame, Resident Evil (em especial os ports de GameCube) e até mesmo em novas IPs como Cursed Mountain. Daí fica a pergunta: Ju-On: The Grudge faz frente aos títulos citados? Não, não chega nem perto. Mas segue um caminho diferente, no mínimo interessante.

 

Para quem não sabe, Ju-On é um filme de terror/suspense japonês dirigido por Takashi Shimizu que rendeu 2 sequências (não tão boas quanto o original, como geralmente acontece) e adaptações no cinema americano. Eles falam sobre uma maldição folclórica japonesa, a qual diz que quando uma pessoa morre num momento de extremo ódio, uma maldição nasce tomando a forma das vítimas e habitando o local da morte, assombrando e matando qualquer um que entre em contato com ela. Comemorando o aniversário de 10 anos da série, o jogo não é baseado diretamente em nenhum dos filmes, mas Kayako e Toshio estão lá… e a maldição também. Produzido pela Feelplus e publicado pela XSEED Games e a AQ Interactive, Ju-On: The Grudge conta a história de Erika Yamada, que é exposta à maldição enquanto procurava por seu cachorro em um armazém abandonado, a família Yamada inteira é posta em perigo quando ela volta para casa. Cada membro da família deve enfrentar seu desafio individual, para tentar se livrar da maldição.

O enredo não é nada demais, de fato, mas e o gameplay ? Ju-On: The Grudge é um survival horror em primeira pessoa, com controles bem simples. O Wii Remote funciona como uma lanterna com a função “pointer” do controle, o jogador pode girar em 360º e andar na direção em que estiver olhando pressionando o botão B ou apertando para baixo no D-Pad para dar passos para trás. Apesar de lenta, a movimentação conta com um esquema de rotação em 180º ao fazer um movimento brusco com o Wii Remote para a esquerda ou direita. O botão A funciona como o botão de “ação”, servindo para abrir portas, pegar itens e coisas do tipo. Ju-On: The Grudge não conta com um sistema de combates, o jogador vai explorando os cenários em busca de itens (como páginas do diário de Kayako), levando vários sustos durante o caminho e quando se depara com um dos fantasmas do jogo surge uma Quick Time Event, onde é necessário fazer certos movimentos com o Wii Remote (que funcionam muito bem, sem atrasos), caso o jogador erre algum é morte na certa. Outra maneira de se dar mal é com as baterias da sua lanterna, elas funcionam como se fosse o seu “tempo”, caso acabem é game over. O jogador também precisa procurar por baterias pelo cenário, pois não é possível passar de nenhuma das fases apenas com as baterias iniciais.

Ju-On: The Grudge é um dos jogos mais assustadores que já joguei, não só pela fragilidade dos personagens, cenários muito escuros (as vezes não conseguirá ver um palmo a sua frente) ou ausência de checkpoints, mas pelo jogo realmente se focar em assustar o jogador, com coisas saltando na tela do nada e uma trilha sonora proporcional a do filme. Pena o esquema ser linear, não espere que  game continue assustador depois de termina-lo duas ou três vezes. O game conta com um esquema que “mede” o medo do jogador (sinceramente, não sei quais os critérios que usam para definir se me borrei ou não) pelo sexo e signo, não é nada demais mas algumas vezes acaba sendo engraçada a opinião do game sobre o jogador.

Muitos podem argumentar que os controles do game são ruins, mas ele se encaixaria no estilo “pegue e jogue”, sem muitos comandos ou complicações (um jogo atual sem tutoriais, que bom) e eu particularmente defendo a idéia de que survival horror tem que ter controles travados, deixando o jogador em desvantagem. Mas Ju-On: The Grudge tem problemas reais, que vão além de opiniões: os gráficos do jogo são bem simples. Não chega a ser feio, mas o Wii claramente pode fazer algo bem superior. Os fantasmas continuam assustadores de qualquer maneira, então não chega a ser um problema grave. O problema é que o game tem um defeito gravíssimo e que é argumento suficiente para tirar metade da nota que eu daria a ele: o game conta com apenas 5 fases; Run-Down Factory, Abandoned Hospital, Derelict Apartments, Security Guard’s Ordeal e Cursed House (a casa do filme). Os 3 primeiros cenários são abertos após concluir as fases normalmente, para desbloquear o ultimo é preciso coletar todos os itens de todos os 4 cenários. Também ha um modo multiplayer para 2 jogadores: enquanto um joga o game normalmente, como no singleplayer, o segundo jogador fica encarregado de assustar o primeiro jogador, fazendo aparecer diferentes coisas na tela ao apertar o botão A no Wii Remote. De início parece interessante, mas não deve prender ninguém por muito tempo e não disfarça o grave problema do jogo, que é sua duração.

 

A recomendação de Ju-On: The Grudge é muito relativa. Fãs do gênero survival horror devem conferir o game por ter bons sustos como poucos jogos de hoje em dia, por outro lado não é certo que irá agradar a todos por conta da sua simplicidade. Recomendar a compra do game ? Dificilmente alguem investiria em um game com 5 fases, a não ser que seja um colecionador. Mas se tiver a chance de experimenta-lo e é fã do gênero, por que não ?

[gameinfo title="FICHA TÉCNICA (clique aqui para ver)" game_name="Ju-On: The Grudge: Haunted House Simulator" developers="Feelplus" publishers="XSEED Games, AQ Interactive" platforms="Nintendo Wii" genres="Survival Horror" release_date="30 de Julho de 2009"]

Espalhe o amor, espalhe a Pixel!!

Sobre o Autor